domingo, 28 de março de 2010

Para começar com pé direito...




Acreditem, pretendo ser objetiva na minha história, não está nos meus planos escrever posts tão extensos, tanto porque dizem que brasileiro tem preguiça de ler, mas para iniciar este blog, quero deixar o mais claro possível meu objetivo. Pra isso preciso contar a minha história.

Há alguns anos já que penso em criar um blog.
Porém aprendi que qualquer criação que o homem faça, parte, a princípio, de sua disposição. Até o momento que antecede a este não senti uma disposição verdadeira para iniciar.

Inicialmente meu propósito com este blog é organizar-me em minhas idéias. Quero que este seja um diário aberto, para que eu possa refletir verbalmente e, quem sabe, transmitir algum aprendizado.

Minha vida passa agora por uma nova fase de construção. Desde muito menina tenho fascinação por artes, principalmente as que partem das cênicas, esta arte complementa muitas outras como as artes circenses ou a dança.

Mesmo ciente desta paixão, sempre tive fixo em minha mente que ser artista não era o caminho certo, que era muito inviável viver de arte. Lutei muito contra esta afinidade, tentei entrar no sistema de diversas formas, tentei seguir a vida em massa junto aos demais jovens.

Ensino Médio e Técnico -> Língua estrangeira -> Cursinho -> Faculdade -> Emprego -> Subir cargos -> Ficar cheia da grana -> Comprar carro e casa -> Constituir família -> Patati patatá.

Confesso que nunca fui a melhor na escola, porém cumpria com sucesso todas as minhas obrigações escolares, sempre procurei me objetivar na vida, não perder tempo com atividades não-construtivas.

Aos 17 só tinha ciência disto: Não suportava meu técnico em ADM, fazia nas coxas mesmo, só para presentear minha mãe com meu diploma.
Não prestaria vestibular algum, pois me sentia muito imatura para escolher minha profissão, eu ainda era muito protegida na família, mal sabia como funcionava o capitalismo selvagem no mundo a fora. Via esta mesma imaturidade nos meus colegas de classe, que não pensavam como eu. Muitos foram pra faculdade direto, fico feliz pois vejo que alguns estão contentes em sua escolha, mas duvido que seja o que acontece com a maioria dos universitários jovens brasileiros.

Bom, foi quando terminei o Ensino Médio e Técnico (2007) que tive oportunidade para vasculhar a arte mesmo. Fiz oficinas de fotografia, artes cênicas, dança do ventre, dança contemporânea, artes circenses.

Ok, para aí, circo. Gamei. Comecei no aéreo, tive a oportunidade de ir à 10ª Convenção Brasileira de Malabares e Circo em Campinas (Outubro - 2008). Achei toda aquela galera ao mesmo tempo que maluca, fascinante.
Neste momento eu já era funcionária pública trabalhando na área de educação. Fui inspetora e organizadora de secretaria escolar. De escola estadual.
Ah como eu queria sair do sistema e me entregar àquele mundo de gente maluca.
Ok lutei contra isso, entrei novamente no sistema. Comecei a estudar Plásticos no Senai Mario Amato, do nada, escolhi por escolher mesmo mesmo. Estudando e trabalhando o dia inteiro sumi do circo, fiquei vazia.
De que vale você ter muito e não ter aquilo que te preenche verdadeiramente?

Em maio de 2009 eu reapareci, fui à 2ª Convenção de Malabares e Circo do ABC.
Ok, nao dava mais pra sair deste mundo. Só que eu aparecia pouco para visitar alguns colegas artistas.

Como não tinha tempo para treinar aéreo, aprendi a jogar três bolas (que sufoco foi pra eu aprender), dava um tempinho tava eu lá nas três bolas de painço.
Ok, mudei de escola, mudei o horário de serviço, com isso conseguia aproveitar a 1 hora e meia final do encontro de malabares de São Bernardo, às terças. Fui à 2ª Convenção Paulista de Malabares e Circo em Ribeirão Pires (setembro/2009), foi lá que começaram as três claves, malemá.
Ganhei três claves velhinhas, quebraram no Intercircu II Etapa Botucatu em setembro de 2009. Nesta época eu já tinha meu acordeon de 24 baixos (foto) Vi o Fernando X edge tocando na convenção do ABC e me apaixonei pelo instrumento.

Ganhei mais três claves velhinhas e por ai foi, até chegar a 11ª Convenção Brasileira de malabares e Circo em piracaia (Outubro - 2009) e logo em seguida a 13ª Convención Argentina de Circo, Payasos y Espectaculos Callejeros em Monte Grande (Novembr0 - 2009) onde comprei meu monociclo e quatro claves K8 ótimas. Nesta época eu já havia abraçado a causa. E de todo o conhecimento que obtive até aí, a Convenção Argentina foi muito influente pois focava muito nos artistas de rua em geral, e ver a valorização que estes artistas recebem foi um puta aprendizado para mim que achava que artista de rua era pedinte.


Ainda assim pensava que eu jamais me submeteria à fazer arte na rua. Hoje penso diferente, porém ainda acho que os artistas precisam se desenvolver de outras formas, o artista é o cara do palco, no momento que ele é artista ele tem o trombone para pôr a boca, só está faltando isto, a iniciação para se passar menssagens à humanidade.

Ok, preciso contar outra parte de minha história. Sempre fui muito apegada a esta matéria mundana, sempre fui muito descrente em diversos aspectos e entendia que nesse mundo só se dá bem quem olha pro próprio umbigo.
Vejo muitos seres humanos com este comportamento e hoje isso me entristece, ao mesmo tempo que me contento por não ter mais esta visão.

A humanidade está perdendo a sensibilidade, as pessoas precisam sentir mais amor aos seus ofícios, serem mais verdadeiros e menos egoístas.

É aí que a minha arte entra, minha arte será minha espada contra os males deste mundo, tenho fé que há de ser, esta fé existe dentro de mim desde o dia em que entendi que tudo posso naquele que me fortalece.

Há pouco exonerei meu cargo, preciso de tempo para me desenvolver. Atualmente estou aprendendo a andar de perna-de-pau e monociclo, continuo treinando claves e voltei a treinar aéreo, isto me deixa muito feliz. Meu técnico em Plásticos eu continuo, pretendo fazer um TCC na área de malabares, quem sabe eu insiro um novo produto no mercado brasileiro para agradar aos nossos malabaristas, ou melhoro o material que já temos. Tenho um colega para isso, Rodrigo Rodrigues.

Escreveria mais mil palavras aqui, mas acho que consegui expor o suficiente para dar início a este blog, o restante eu desenvolvo aos poucos, por posts.

Sejam bem-vindos.

É com gratidão que finalizo este depoimento.
Como o Cristiano (Fone) me diria: Muito amor na caminhada.


ARTE HUMANIZA

Já me disseram que uma andorinha sozinha não faz verão, mas não é por isso que vou virar um urubu né. Até mais.

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